sábado, 12 de janeiro de 2008

E Sócrates?

Papai, o que é sexo?

Filhinha, você está muito nova pra conversar sobre essas coisas. Quando você for casar, te explico.

Papai, o que é maiêutica?

...

Vamos voltar ao assunto do sexo?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Entre línguas

Sentia muito prazer. Pele quente, várias línguas a lambê-la. Deliciava-se, inteiramente, com diversos corpos em redor, acariciando-a, deixando-a feliz; muito feliz.

Aqui, Tom.

Isso...

Eric, venha .

Fred, ai, que gostoso.

Seria imoral para uma velha? Sim, uma velha e seus doze gatos.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Mais uma história de plano perfeito

O PLANO

Era em um porão de uma antiga casa de interior onde se planejava, meticulosamente, todo o plano. Segundo seus elaboradores, claro, seria perfeito. Dentre eles, no entanto, destacava-se apenas um; uma espécie, provavelmente, de líder nato, responsável pela disciplina e maturidade, as quais, segundo ele, eram indispensáveis.

– João, esse desenho? Você vai seguir por esse caminho pintado de vermelho, passando pelo poste, até chegar na árvore maior. Sim, essa mesma que eu marquei um xis.

Ei, Marcos, presta atenção, é sua vez agora.

Não! Você não pode ir junto com João. Escute bem: você vai pelo outro lado, até dar a volta inteira na casa. Mas, não se esqueça, sempre ande no meio do mato, pra ninguém te ver.

– Carlos, acompanhe, não tão perto, João, para, assim que ver Marcos, chamar os dois para se encontrarem. Vocês três, juntos, vão até o muro dos fundos, bem aqui, onde marquei de caneta preta. Fiquem esperando.

Ana, no dia te explico o que fazer.


A AÇÃO

Ana tremia. Estava nervosa por participar de sua primeira ação tática e ainda ser a peça decisiva para o sucesso da missão.

Ana, fique calma e escute bem o que vou falar. Assim que eu der o sinal, você vai, bem devagar, em direção à casa. Espera um pouco e toca a campainha. Quando o dono da loja abrir a porta, peça, com calma, pra usar o banheiro. Ele vai te indicar um local aos fundos e, talvez, te acompanhe até . Espere dez segundos, saia e entre na porta ao lado. Ali é o depósito.

Isso... você precisará, apenas, abrir a janela para João, Marcos e Carlos. Depois, saia do lugar. Pela porta da frente, claro.

Começava a ação.

Simultaneamente, João e Marcos iniciavam seus trajetos, preocupando-se em seguir tudo o que foi planejado. Carlos, depois, passou a acompanhá-los, até se encontrarem junto à parede da casa. Esperaram apenas dois minutos, quando Ana abriu a janela.

Depois de meia hora, estariam de volta ao porão, deliciando-se com inúmeras caixas de doces e bombons, como crianças felizes. Aliás, eles eram crianças.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Vai-e-vem

Amor, o que Renato Russo quis dizer comsexo verbal”?

Querida, deixe-me concentrar.

– Seria algo relacionado com conversa prolixa?

...

Talvez um desgaste de conteúdo por um vai-e-vem de palavras?

Ou, ainda, o individualismo, representado, metaforicamente, com o ato sexual?

– Sendo, portanto, uma anulação da retórica por part...

Gozaram juntos.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Ondulações

Estava nua. Integralmente nua. Pele branca; pálida, porém bela. Mostrava-se sensual, valorizando seu corpo miúdo, de seios rijos e pequenos; pêlos pretos e macios entre as pernas; rosto delicado e angelical. Destacava-se, no entanto, não a nudez em si, mas o nu de uma grávida. De 5 meses talvez, de barriga proeminente. Seus olhos verdes revelavam um grande olhar de tristeza ou, melhor, de mistério. Linda mulher. Pena estar morta.

Eu era novo naquele tipo de trabalho. Em meu currículo, apesar disso, constava diversos nomes eliminados com sucesso. Matara diversas figuras, passando por padres, prostitutas e banqueiros. Seria difícil imaginar, no entanto, ser pago para assassinar tão bela mulher – grávida, deve-se ressaltar. Costumava matar sem piedade, remorso ou dor; mas, dessa vez, senti-me atordoado. Por isso, deixei de lado a pistola. Matei-a por estrangulamento. Afinal, não seria justo estragar tal obra de arte divina. Depois, despi-a completamente.

Lembrei-me de um outro caso. Era madrugada de sábado quando invadi uma casa no Rio Vermelho. Choquei-me pela facilidade em pular o muro, arrombar a portaquase que silenciosamente – e invadir um dos quartos, onde estava um casal. Um homem extremamente gordo, de bigode e aparentando calvície transava loucamente com uma mulher negra, de seios fartos, esmagados pela gordura de seu parceiro. Ela vestia, apenas, um avental de empregada doméstica, enquanto ele se mostrava assustadoramente nu. Matei-o e assumi seu lugar no sexo.

Não. Aquela não fora a situação mais inusitada. Esta é.

Sentei-me na cama, ao lado da mulher nua. Admirava-a inteiramente, dos pés delicados aos cabelos pretos ondulados. Não sentia desejo sexual, mas, de fato, uma forte compaixão. Sentimento estranho para um assassino, acostumado com a dor e a morte. Estaria sendo imaturo? Talvez.

Passei a acariciá-la. Senti seus pés, pernas muito lisas, coxas macias. Passei por seu sexo, muito úmido para uma moça morta. Percebi as ondas do ventre de grávida, os seios e o pescoço fino. Parei no rosto. Este era o mais belo. Beijei-a, ternamente.

Estava apaixonado.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Pobre pecadora!

Padre, pequei.

– Pode começar, minha filha.

Não tenho sido fiel a Deus como deveria.

– Explique melhor.

Eu uso camisinha!

...

Muito grave... realmente gravíssimo. Mas, posso te ajudar. Sua vaga para os céus ainda estará garantida, se, claro, fizer uma graciosa doação de, digamos, algumas fazendinhas.

Padre, não estamos mais na Idade Média.

Tudo bem, minha filha. Então, você pode contribuir para a “campanha do ar condicionado”, ajudando refrescar a santa casa do Senhor.

Graças a Deus!

Amém.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Dores

O despertador tocava. Minha dor de cabeça aumentava. Como sempre, ao acordar, sentia-me mais exausto do que ao dormir. Porém, desta vez, não lembrava o que havia feito na noite anterior; ao pensar, a cabeça novamente pesava. Enxaqueca ou culpa? Muito trabalho, pouca diversão, deve ser isso. Talvez mais alguns minutos de sono resolvam.

Uma hora depois acordo. Dessa vez, mais assustado do que exausto. Levantei-me rapidamente. Em toda minha vida nunca havia chegado atrasado ao trabalho; atrasei-me, pela primeira vez, por culpa de minha mulher. Mas por que diabos ela não veio me acordar? Parei de resmungar e fui logo colocar uma roupa. Novamente senti a cabeça pesando. Meu café da manhã será acetil salicílico; afinal, nada melhor do que começar o dia lembrando das aulas de química do ensino médio.

Nenhum remédio, no entanto, reverteria a situação a qual vivenciaria daqui a alguns segundos. Ao entrar no corredor de minha casa, paralisei-me, ficando completamente chocado. Minha mulher, deitada no chão, nua, pálida, ensangüentada. Morta.

Primeiro, vem o impacto; depois, a tristeza; e por fim, a vingança. O impacto já descrevi; a tristeza já é conhecida de todos; pularei para a vingança. Esta, fez-me esquecer o emprego, dispensar a polícia e agir sozinho. Quem quer que fosse o responsável, jurei matá-lo.

A partir daquele dia minha vida transformou-se em ódio. Fazia buscas e investigações, analisava friamente todas as pistas. Quanto menos dormia, mais dor de cabeça sentia. Um dia encaixaria os fatos e encontraria o culpado.

Este dia foi numa sexta-feira à noite. Estava dirigindo tranqüilo, em ruas bem vazias. Passava por uma ponte, quando, de súbito, senti a cabeça pesando; depois, dores bem fortes. Parei o carro de qualquer maneira e saí. Foi quando imagens vieram à mente. Cenas daquela noite, no corredor. Uma briga. Uma faca. Sangue.

Encaixei os fatos. Joguei-me da ponte.